domingo, 5 de agosto de 2012

Atlas, 1

1) Homero, na Odisséia (I, 52-54), define o titã Atlas como um espírito maligno - detentor de um saber trágico, construído a partir do exílio e da dor (e ainda assim consagrado pai fundador da astronomia, da astrologia, da geografia e da filosofia). Tudo que Atlas aprendeu sobre o universo foi consequência direta de seu sofrimento, de seu violento contato com a esfera que carrega. 
2) Atlas é irmão de Prometeu, também ele castigado por Zeus. Os dois irmãos foram acorrentados em pontos opostos do mundo, castigados pela derrota na guerra contra os deuses com "suplícios dialéticamente dispostos", nas palavras de Didi-Huberman: Prometeu com um suplício visceral (o fígado devorado), Atlas com um suplício sideral (o céu suportado).  
3) O mito de Atlas atravessa a história humana como uma imagem da ambivalência: um castigo transformado em saber imenso; um exílio transformado em domínio absoluto sobre o mundo; um guerreiro condenado à imobilidade que é, ao mesmo tempo, um reservatório inesgotável de ideias e conceitos. A própria posição do corpo de Atlas marca essa ambivalência: uma perna mostra o esgotamento, a prostração; a outra, o desejo de se erguer. 

2 comentários:

  1. Tu lês, de quando em vez, livros em francês e espanhol? Falo de livros traduzidos para estas línguas. Ou geralmente, quando lês uma tradução não lusófona, lês em inglês? Em qual idioma preferes ler traduções?

    veja, aqui, a partir de 16:20 (o trecho é pequeno, é o finalzinho) http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/t/videos/v/antonio-medina-rodrigues-e-professor-de-lingua-e-literatura-grega-da-usp/2588815/
    Concordas? E em espanhol? Também há esse 'problema', que há no português, citado por eles? Desconheço por completo este idioma.

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