1) O livro de Adolfo Bioy Casares intitulado Unos días en el Brasil (Diario de viaje), cuja edição que tenho em mãos é aquela espanhola de 2010 (um livrinho simpático de 100 páginas editado por La Compañía de los Libros, de Madrid), tem um posfácio assinado por Michel Lafon, que editou na França a obra de Bioy Casares, além de ter feito a tradução de uma série de novelitas de César Aira (o primeiro romance de Lafon, Une vie de Pierre Ménard, lançado pela Gallimard em 2008, foi traduzido para o espanhol por César Aira como Una vida de Pierre Menard, lançado na Espanha em 2014 pela editora independente Días contados, também este livro com um posfácio, assinado por Alberto Manguel e intitulado "Menard inventa a Borges").
2) Lafon intitula seu posfácio "Diario de Bioy (extractos)" e começa evocando o dia 20 de abril de 1991, um sábado: um amigo liga para ele, Lafon, para informar que Bioy está em Paris, em seu hotel habitual, o Claridge-Bellman; o amigo sabe que Lafon quer conhecê-lo, por isso liga; Lafon "não se atreve"; ele sai para jogar futebol com seu filho, para relaxar e pensar em outra coisa; duas horas depois volta para casa, fecha a porta do seu escritório e liga para o hotel, procurando Bioy; Bioy atende, Lafon diz que é professor de literatura argentina e que lê suas obras "desde sempre"; Bioy o convida para jantar em seu hotel alguns dias depois, na terça-feira.
3) O jantar da terça-feira dura quatro horas; Lafon escreve que vai da timidez à eloquência ao longo dessas horas, durante as quais Bioy se manteve "paciente e bondoso"; Lafon também escreve que Bioy contou a ele em detalhes a trama e o processo de realização do romance que então escrevia, Un campeón desparejo; Bioy ainda dá de presente a Lafon um exemplar "da enorme antologia de sua obra que acaba de publicar Marcelo Pichon Rivière", La invención y la trama, com uma dedicatória; Lafon volta para a casa do amigo parisiense que o hospeda, não consegue pregar o olho a noite toda, dada a emoção do encontro, finalmente, com Adolfo Bioy Casares.
