Ainda um trecho do texto sobre a relação entre Gert Ledig e Sebald:
"Em 1956, a crítica a Vergeltung se dividiu entre o grupo daqueles que consideravam a linguagem utilizada por Ledig precisa e que ele tinha uma excelente capacidade de representação e aqueles que consideraram a obra excessivamente cruel e repulsiva, havendo até mesmo alguns que acharam a descrição do bombardeio exagerada e não condizente com a realidade.
Essas críticas foram claramente pautadas pela experiência pessoal de seus autores, a qual definiu se o que era descrito deveria ser entendido como verossímil ou não. Mas a precisão das descrições não parece ter sido o que causou o desaparecimento do livro por tão longos anos, e sim o fato de as mortes brutais serem despidas de qualquer sentido ou consolo. Apenas o distanciamento temporal de pouco mais de dez anos não era suficiente para que o público já estivesse pronto para receber o livro, pois o processo de recuperação da guerra foi muito mais extenso na Alemanha.
Além de o país ter sofrido a divisão em duas partes, a questão da culpa pelos crimes de guerra, da destruição das cidades e do extermínio de judeus ainda deveria ser trabalhada. A discussão aberta por Sebald foi um sinal de que era chegado o momento para que Vergeltung encontrasse uma repercussão notadamente positiva. Sebald clamava por livros que representassem a destruição da guerra aérea de forma direta, sem rodeios" (p. 105)






