1) Desde muito cedo, Alejandra Pizarnik pensa as relações entre palavra e imagem como uma tensão entre dois planos. Em 24 de junho de 1959, por exemplo, ela escreve em seu diário: "Eu deveria pintar. A literatura é tempo. A pintura é espaço. E eu odeio o tempo e gostaria de abolir o tempo. Mas nem a pintura. Eu me refiro ao poder de me expressar em uma arte que fosse como um uivo na escuridão, terrivelmente breve e intenso como a morte”. A tensão opera entre dois planos, mas Pizarnik está frequentemente interessada em um terceiro elemento que surge dessa intenção, algo como um ponto de fuga - que, no caso específico dessa entrada, é a morte, mas que em outros momentos poderia ser um poema, um desenho, uma colagem, uma pintura.
2) Pizarnik frequentou o ateliê do pintor surrealista Juan Batlle Planas de forma intermitente a partir de 1954-1955, o que coincide com seu ingresso na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, estudos formais que pouco mais tarde abandonou. O ateliê de Batlle Planas foi determinante para seu encontro com o surrealismo, um estilo que ela vai elaborar tanto na poesia quanto em sua obra pictórica. Nessa mesma época, a partir de 1954, Pizarnik articulou pintura e psicanálise, iniciando sua terapia com León Ostrov e publicando seus primeiros livros de poesia, La tierra más ajena em 1955 e La última inocencia em 1956.
3) Nessa mesma época, mais especificamente em 1955, Claude Lévi-Strauss está publicando Tristes trópicos (o primeiro volume da Antropologia estrutural sai em 1958); a década de 1950 também registra as primeiras publicações de Leonardo Sciascia: Favole della dittatura, em 1950, La Sicilia, il suo cuore, em 1952, Pirandello e il pirandellismo, em 1953, Le parrocchie di Regalpetra, em 1956; embora Italo Calvino tenha publicado seu primeiro romance em 1947, a década de 1950 também registra algumas de suas publicações mais importantes: O visconde partido ao meio, em 1952, O barão nas árvores, em 1957.






