1) Um ensaio de Noé Jitrik sobre Borges com o excelente título "Sentimientos complejos sobre Borges", publicado na revista francesa Les Temps Modernes em 1981 (incluído no livro La vibración del presente: trabajos críticos y ensayos sobre textos y escritores latinoamericanos); ensaio denso, controverso e importante, que oscila entre um reconhecido "prazer do texto" diante de Borges e uma denúncia direta da proximidade de Borges com a ditadura argentina ("que pasaría", pergunta Jitrik no início da seção 12 do ensaio, "si Borges estuviera de nuestro lado?").
2) Por volta de 1974, escreve Jitrik (no início da seção 10 do ensaio), me indignei com Borges - algo que aconteceu por conta de Macedonio Fernández, pelo fato de Borges declarar que ele tinha sido um bom "falador", "conversador" (que dizia uma ou duas frases memoráveis por noite, e nada mais), e não um bom escritor. Jitrik vê nisso uma traição de Borges para com Macedonio: foi ele quem ensinou o que era "revolucionário", a ruptura, o chiste, a "fulguração do instantâneo", a descrença pela verossimilhança.
3) Borges é o contrário de Balzac, e talvez isso contribua decisivamente para sua fama e sua duração, escreve Jitrik; Borges tem a energia de uma constância (é, também no sentido político, previsível, conservador), tem um foco e uma especialidade, um universo específico (sinônimo, em nosso mundo, de "seriedade", escreve Jitrik); dito de outro modo, continua Jitrik, Borges fala sempre das mesmas coisas, de poucas coisas, o que gera uma ilusão de que é possível "compreendê-lo" (essa tendência à repetição em Borges, escreve Jitrik, fica bem evidente a partir de El hacedor, lançado em 1960).

Nenhum comentário:
Postar um comentário