1) Pensando ainda na obsessão de Ginzburg com a pontuação (confessada na entrevista sobre Pavese), lembro do ensaio de Theodor Adorno, "Satzzeichen", "Sinais de pontuação", publicado em 1956 na revista Akzente (descubro agora que muitos textos do Grupo 47 foram publicados pela primeira vez nessa revista; textos de Ingeborg Bachmann e Hans Magnus Enzensberger, por exemplo), e hoje parte das Notas de literatura.
2) Adorno lê nos sinais de pontuação uma espécie de zona fronteiriça: são signos de uma convenção que limita o trabalho criativo; ao mesmo tempo, são necessários para o impulso criativo individual alcance certo patamar "compartilhável"; os sinais de pontuação são parte da garantia de legibilidade que liga a fase da escrita à fase da leitura; ainda assim, escreve Adorno, a pontuação é fonte de "permanente perigo", sempre na iminência de revelar aquilo que é trivial e convencional em todo trabalho criativo com a linguagem.
3) Para Pavese, diz Ginzburg na entrevista, a pontuação é fundamental para imprimir o ritmo peculiar de sua poesia; mas não apenas da poesia, continua Ginzburg: segundo ele, é possível reconhecer esse ritmo peculiar de Pavese também em suas narrativas: a primeira edição de Trabalhar cansa é de 1936, e Ginzburg cita diretamente dois romances posteriores de Pavese nos quais ele reconhece esse ritmo, La casa in collina, escrito entre 1947 e 1948 (e publicado nesse ano), e La luna e i falò, escrito entre 18 de setembro e 9 de novembro de 1949 e publicado em abril de 1950 (Pavese comete suicídio em 27 de agosto de 1950).

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