1) No Teeteto, Platão faz Sócrates falar de erros e sensações, opiniões, marcas e almas; está em questão o "conhecer" e o "não conhecer", a impossibilidade de se opinar o falso. Nesse momento (194-195), Sócrates recorre à metáfora do bloco de cera: a alma como superfície na qual é possível deixar marcas, ou seja, a alma como lousa, suporte, material de escrita.
2) As sensações deixam marcas na cera da alma, diz Sócrates, escreve Platão; talvez o erro surja quando a alma não consegue ligar a sensação à marca correspondente: tenta conectar uma chamada equivocada, como as telefonistas em suas caixas/jaulas de ressonância, com seus fios e orifícios (a imagem vem de Kittler e de Henry James e do início do século XX). A cera deve ser maleável na medida, diz Sócrates: se muito dura, impede o aprendizado; se muito mole, favorece o esquecimento.
3) A jaula retorna na próxima metáfora de Sócrates, pouco além: o pássaro na gaiola, ou melhor, a possibilidade do erro como a possibilidade de pegar o pássaro errado quando se recorre à gaiola (o arquivo, o repertório) do conhecimento. A proposta de Teeteto, que confunde tudo e lança o diálogo no absurdo momentâneo, é a de que dentro da gaiola estão não apenas os conhecimentos, mas os não-conhecimentos (a cacofonia, o ruído branco, a estática?).

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