2) Em entrevista dada a Guillermo Saavedra em 2002, Saer conta que começou a escrever O limoeiro real em versos, mas que desistiu depois de duas páginas e meia. Como escreve Beatriz Sarlo (Zona Saer), sua obra solicita a lentidão da escritura poética, sendo melhor "lê-lo em voz alta", "como acontece com James Joyce", dando o tempo necessário para que ocorra uma sorte de homeostase entre a consciência do leitor e a prosa de Saer.
3) Além disso, continua Sarlo, Saer escreve "a partir da poesia", como outros escrevem "a partir da história" ou "a partir dos gêneros"; para Sarlo, o ponto de vista de Ninguém nada nunca, A volta completa, O enteado, As nuvens – em suma, da obra de Saer como um todo – é sustentado por um "fazer poético" marcado pela repetição, pela digressão e pelas antecipações, algo que se percebe desde En la zona até o romance O grande, de lançamento póstumo (Saer morre em 11 de junho de 2005).

Sempre no compasso do "movimiento contínuo descompuesto", rs. ♡
ResponderExcluirÉ uma boa definição do Saer, não?
ExcluirSim, Kelvin, uma de minhas prediletas, rs. Talvez seja minha definição favorita do gênero, pensando bem, rs. :)
ExcluirGostei muito desse texto, professor. Aliás, o seu blogue é meu labirinto secreto, onde eu conheço tantas obras notáveis. Como sempre, fiquei curiosa em conhecer o autor, obrigada.
ResponderExcluirQue bom que você gostou, fico feliz; e fico feliz também de saber que o blogue ajuda você a encontrar novas leituras.
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