terça-feira, 27 de setembro de 2011

Barthes tuberculoso, 3

"Barthes tuberculoso" pode significar, portanto, a convergência inextricável entre vida e obra, ou ainda, o trabalho crítico como forma de vida. Há uma cadência da doença que se infiltra na dinâmica do trabalho crítico - como quando Benjamin fala que o estilo de Proust tem a cadência de sua asma, ondulante, sinuosa, eterna [ou quando fala que uma história bem narrada pode curar doenças]. No caso de Barthes, no caso do Barthes tuberculoso, o sanatório é a cena inaugural que lhe permite o acesso a uma série de problemas [que Barthes transforma em problemas críticos]: basicamente, aqueles que envolvem o pré-operatório da ficção, os rituais de acesso ao momento de "preparação do romance", e, principalmente, a complexidade das senhas sociais que articulam as comunidades, que, por sua vez, confinam os artistas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A natureza peculiar das cidades

Sob a aparente desordem da cidade tradicional, existe, nos lugares em que ela funciona a contento, uma ordem surpreendente que garante a manutenção da segurança e a liberdade. É uma ordem complexa. Sua essência é a complexidade do uso das calçadas, que traz consigo uma sucessão permanente de olhos. Essa ordem compõe-se de movimento e mudança, e, embora se trate de vida, não de arte, podemos chamá-la, na fantasia, de forma artística da cidade e compará-la à dança - não a uma dança mecânica, com os figurantes erguendo a perna ao mesmo tempo, rodopiando em sincronia, mas a um balé complexo, em que cada indivíduo e os grupos têm todos papéis distintos, que por milagre se reforçam mutuamente e compõem um todo ordenado. O balé da boa calçada urbana nunca se repete em outro lugar, e em qualquer lugar está sempre repleto de novas improvisações.
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Jane Jacobs. Morte e vida de grandes cidades.
Tradução de Carlos Rosa.
Martins Fontes, 2009, p. 52.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Barthes tuberculoso, 2


1) Mais adiante, no último curso que prepara no Collège de France - A preparação do romance -, Barthes continua pensando sobre o viver-junto, mas, agora, articulado diretamente com o fazer literário. Ou seja: quais aspectos do viver-junto repercutem no momento em que o escritor prepara seu romance. Em determinado ponto, Barthes coloca Céline e Proust em contato e declara: Céline jamais ficaria diante de uma lareira. Há, portanto, uma dimensão completamente diversa do viver-junto operando em cada um deles - Proust investindo em uma introspecção metódica, Céline em uma irradiação caótica.
2) Imagens do viver-junto: além do sanatório [de Walser, Kafka, Thomas Mann, etc], há o kibutz de Amós Oz [vide foto], que compartilham certos traços militares [que o próprio Barthes salienta ao falar do sanatório e lembrar a guerra de 14], há o próprio Exército, evidentemente, a caserna, a trincheira [que lugar impressionante para se pensar o viver-junto, um buraco no meio do campo de batalha que, segundo Benjamin, silenciou uma geração inteira]; e, por fim, o Hospício de Sade [que gerou, no mínimo, dois desdobramentos poderosos: a peça de Peter Weiss, Marat/Sade, cujo título completo é A perseguição e assassinato de Jean-Paul Marat encenado pelos internos do Hospício de Charenton sob direção do Senhor de Sade, e o soberbo ensaio de Susan Sontag sobre Sade e a peça de Weiss, que está em seu livro Contra a interpretação].
3) A peça de Weiss é de 1963; o ensaio de Sontag, de 1965. É interessante, claro, observar a voracidade com que Sontag lia seu presente desde seus primeiros anos produtivos [ela tinha 32 anos em 1965], mas é também interessante lembrar que Sade, justamente por esses anos, estava começando a ser lido de forma sistemática e profissional - suas obras completas foram lançadas em 1956, e geraram problemas judiciais ao editor; pouco antes, nomes como Bataille e Sartre começavam a tirar o pó moralista que escureceu a ficção de Sade durante muitos e muitos anos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Barthes tuberculoso, 1

1) A História nos conta que o texto de Barthes teve uma "reedição parcial" no Magazine Littéraire, número 97, de fevereiro de 1975. O texto original, contudo, está disponível na internet, e tenho para mim que essa é uma descoberta deveras interessante - Existences, número 27, julho de 1942. Julho de 1942: enquanto, por exemplo, os nazistas começavam a sofrer as primeiras derrotas na Frente Russa [e os norte-americanos, também em julho, comemoravam a primeira grande vitória contra os japoneses, com a "Batalha de Midway", seis meses depois de Pearl Harbor], Barthes e outros jovens estudantes tuberculosos publicavam seus textos em Existences.
2) É como Kafka em seu Diário, na anotação de 2 de agosto de 1914: Alemanha declarou guerra à Rússia. De tarde, fui nadar. Quantos não se valeram dessa realidade paralela proporcionada pelos sanatórios, especialmente na primeira metade do século XX? Walser, Proust, Aby Warburg, Kafka. A montanha mágica, de Thomas Mann, é sobre o sanatório como experiência de anacronismo: viver, temporariamente, em um espaço que articula o tempo de forma não-convencional.
3) Na década de 1940, Barthes viveu o tema [o tema do sanatório, do isolamento]. Mais de 30 anos depois, ele prepara um Seminário e retorna ao tema, perguntando-se: como viver junto? Esse é o título do curso que deu no Collège de France em 1976-77, dentro do qual buscava rastrear algumas obras documentais ou romanescas nas quais a vida cotidiana do sujeito ou do grupo está ligada a um espaço típico, e dá alguns exemplos: o quarto solitário, a toca, o deserto, o sanatório e o prédio burguês. E sobre o Viver Junto no sanatório, Barthes escreve: sanatório: análogo à eternidade. No começo, desejo ardente de sair, fantasias de saída; espécie de serviço militar, mas cuja desmobilização é incerta, e depois, instalação na perpetuidade [eis o tempo não-convencional que emerge da comunidade doente]. Barthes continua, citando Hans, o protagonista de A montanha mágica: Hans é arrancado à Morte fascinante pela morte real (a guerra de 14) [Martins Fontes, 2003, p. 88].


sábado, 17 de setembro de 2011

Barthes tuberculoso

Em 1941, aos 25 anos de idade, Barthes se interna no Sanatório de Saint-Hilaire du Touvet para tratar da tuberculose. Quase toda a década de 1940 será dedicada à tuberculose e, como uma gêmea bondosa, à leitura. Em um esforço semelhante àquele de Benjamin, quando resolveu produzir um jornal em plena prisão, Barthes publicou uma série de textos no suplemento cultural da publicação do sanatório: Existences, revista trimestral da Associação Les Etudiants au sanatorium, do Centre Universitaire de Cure de Saint-Hilaire du Touvet. Que acontecimento altamente improvável: essas linhas de Barthes sem grandes pretensões atravessam o tempo e o espaço e cá estão, disponíveis. E mais: num desses textos ["Notas sobre André Gide e seu Diário", Notes sur André Gide et son Journal], Barthes faz uma confissão, ou melhor, toma uma posição, que será recorrente em toda sua obra. Ele escreve: procurava em vão um vínculo para interligar estas notas; depois de refletir, concluo ser melhor apresentá-las como estão, e não procurar disfaçar sua descontinuidade: a incoerência parece-me preferível à ordem deformadora. Barthes postula, já em 1941, sua poética do fragmento.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os dentes, 2

1) Napoleão Bonaparte, Imperador, 1769-1821.
2) Honoré Daumier, desenhista, 1808-1879.
3) Gustave Flaubert, escritor, 1821-1880.
4) Charles Baudelaire, poeta, 1821-1867.
5) Fiódor Dostoiévski, russo, 1821-1881.
1) Muitos autores, especialmente Dolf Oehler em seu Quadros parisienses, assinalaram a importância das imagens de Daumier para o pensamento de Baudelaire. A leitura cáustica que Daumier fazia do mundo ao seu redor [um mundo que compartilhava com Baudelaire, com Flaubert] refinou o olhar e a sensibilidade de toda uma geração. E também Daumier se ocupou dos dentes, das relações tragicômicas entre dentistas e seus pacientes [o dentista, esse profissional do século XIX que oscilava em algum lugar entre a medicina e o açougue].2) Uma das receitas para verificar a saúde de um cavalo é olhar seus dentes. O espaço dos dentes é um entre-lugar: é da ordem do privado, do mais íntimo de cada um, ao mesmo tempo em que estão imediatamente expostos no momento da fala, da comunicação. O dentista de Daumier é quase um exorcista: em meio aos espasmos do paciente, com mão firme e instrumentos de uso controlado, ele extirpa o Mal com violência, um Mal que não se sabe de onde vem, que surge do nada, acompanhado de dores lancinantes, como aquelas que experimenta des Esseintes no livro de Huysmans.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os dentes, 1


1) Liova, um dos protagonistas de A casa de Puchkin, de Andrei Bitov, encontra pela primeira vez seu Tio Dickens [cujo nome verdadeiro é Dmitri, Tio Dmitri, Tio Mítia]: Bitov escreve que Liova se apaixonou imediatamente por aquela presença estranha, que lutou todas as guerras possíveis e, nos intervalos, estava preso. Tio Dickens [que ganhou esse apelido unicamente por gostar muito desse romancista, escreve Bitov], aos olhos de Liova, era fora do comum de tão magro e moreno, com um rosto enigmático e ao mesmo tempo tão convidativo, e sua boca formava um raro desenho sanfonado de ar satírico [esse ar satírico será fundamental para conferir legitimidade às histórias que Tio Dickens contará futuramente a Liova]. O narrador explica que a impressão de Liova decorre do fato de que Tio Dickens ainda não conseguira pôr dentadura.
2) Há uma cena em Às avessas, de Huysmans, na qual o protagonista, o duque Jean des Esseintes, é acometido, no meio da noite, de uma abominável dor de dentes. O homem dava palmadas no próprio rosto, chocava-se contra os móveis, corria pelo quarto feito louco, tudo por causa da dor. Assim que amanheceu [soaram finalmente as sete horas], des Esseintes foi atrás de um dentista que pudesse lhe resolver o problema o mais rápido possível [tratava-se de um molar já obturado, só o boticão dos dentistas poderia remediar o mal]. Agarrado aos braços da poltrona, sentindo uma dor inaudita, ele começa a bater os pés e a berrar feito um bicho sendo assassinado. De repente, um estalo: o molar se partia na ponta do alicate. Depois de uma luta infinita, o dentista se afasta - resfolevaga brandindo na ponta do seu boticão um dente azul de onde pendia um fio vermelho. Azul!
3) O protagonista de Huysmans, aliás, lembra muito o Flaubert de Julian Barnes: isolado, excêntrico, cheio de curiosidade sexual, meticuloso em seu espaço de trabalho, capaz de verticalizar de forma assombrosa seu interesse em algum assunto [geralmente menor, de pouca utilidade para as "massas"], insistente em sua campanha contra a estupidez generalizada do mundo, colecionador de prazeres "baixos" com figuras frequentemente doentes e/ou infectas, etc. Como muitos de seus contemporâneos, ambos demonstravam um grande interesse pela sífilis [des Esseintes chega a ter um pesadelo com a Grande Sífilis, uma espécie de Nossa Senhora dos Sifilíticos].

sábado, 10 de setembro de 2011

Os dentes

1) Um assunto delicado, o assunto dos dentes. A grande agonia que pode causar um pequeno desarranjo, uma pequena fissura, ainda que seja no menor dos dentes. Julian Barnes, ao reconstruir a cronologia da vida de Flaubert [em seu livro Flaubert's parrot], anota no ano de 1850: com o passar dos anos, ele perderá todos os dentes, menos um; sua saliva será permanentemente negra, devido ao tratamento à base de mercúrio. Nada que fugisse da condição habitual do período.
2) Os dentes podem ranger, de raiva, de desgosto. Os dentes podem bater uns nos outros, de pavor ou de frio. Dostoiévski colocou Raskolnikov para ranger dentes muitas vezes ao longo de Crime e castigo, e Coetzee, em sua reconstrução ficcional da vida de Dostoiévski [O mestre de Petersburgo], escolhe uma imagem particularmente pungente para mostrar o desamparo e a solidão do escritor russo: Dostoiévski preparando-se para dormir, depositando sua dentadura num copo com água, ao lado da cama.
3) Franz Biberkopf, o protagonista de Berlin Alexanderplatz, encontra, ao longo de sua jornada pela cidade, algumas figuras que compartilham um gesto: levar a língua a um buraco na gengiva, a um dente cariado ou a uma obturação que permanece dolorida. Franz não tem como saber disso, mas o narrador faz questão de informar o leitor, abrindo o desconforto de todas essas bocas anônimas que logo somem. Alfred Döblin, médico que era, tem particular apreço por esses instantâneos de agonia corporal, esses relâmpagos de sofrimento que crispam o interior das pessoas e que elas guardam para si, como amuletos.
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Borges escreve, em 1961: "Para não enfrentar o alicate do dentista, Macedonio Fernández costumava praticar o tenaz artifício de afrouxar continuamente os dentes; essa manipulação se dava atrás da mão esquerda, que servia de tela, enquanto a direita insistia. Não sei se o êxito coroou esse labor de dias e anos" (Prólogos, com um prólogo de prólogos, tradução de Josely Vianna Baptista, Companhia das Letras, 2010, p. 75-76).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Berlim, 8 de setembro

1) Foi num dia como hoje, 8 de setembro, que Alfred Döblin começou a publicar Berlin Alexanderplatz, sua versão do Ulysses de Joyce. Rigorosamente um dia como hoje, uma versão anterior do dia de hoje: 8 de setembro de 1929. Berlin Alexanderplatz é publicado como folhetim no Frankfurter Zeitung, o histórico jornal que, além de Döblin, abrigou os textos de Walter Benjamin, Siegfried Kracauer, Adorno, Sándor Márai, Joseph Roth, entre outros. Não é fantasia, então, imaginar que talvez todos esses homens tenham lido Berlin Alexanderplatz no calor da hora, acompanhando de 8 de setembro até 11 de outubro o desenvolvimento da história caótica de Döblin.
2) Que espécie de sortilégio do tempo faz alguém ler Berlin Alexanderplatz exatamente no dia em que tudo começou, 82 anos depois? Borges um dia disse: a eternidade é todos os nossos ontens, todos os ontens de todos os seres conscientes, todo o passado, que não se sabe quando começou; e também todo o presente, o tempo presente que abarca todas as cidades, todos os mundos, o espaço entre os planetas; e também o futuro, ainda não criado, mas que também existe. Dentre todos os dias possíveis, alguém pode pegar Berlin Alexanderplatz para ler justamente num 8 de setembro, tentando imaginar a sensação do contato com o papel do jornal, em 1929, talvez diante da própria Berlin Alexanderplatz, granito e ferro batido.
3) Veja a foto: foi tirada em Berlim, no ano de 1929, por Willy Pragher. O que a mulher está lendo? O Frankfurter Zeitung deve estar por ali, em algum lugar. A mulher faz pose para o fotógrafo. Não está agasalhada, mas usa mangas longas. Talvez seja setembro. O metrô em Berlim é recente: começou a ser construído no ano anterior. Em 1929, Joseph Roth publica Rechts und Links [Direita e Esquerda], um romance sobre a entrada de um homem traumatizado no submundo alemão, uma frase que poderia definir também o romance de Döblin. Em 1929, Walter Benjamin prepara seu divórcio, Gramsci é preso, Adorno começa a escrever sua tese sobre Kierkegaard e Habermas está nascendo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

José

Na sua autobiografia, Elias Canetti, o autor de Auto de fé, conta como no restaurante Aschinger de Berlim ele se encontrava com Isaac Bábel para discutir a Neue Sachlichkeit, a nova objetividade. Porém o mais curioso era que eles estavam menos interessados em comer e beber do que em imaginar quem eram as pessoas em torno. Tentavam entender e descobrir os mistérios dessas pessoas - todos abrigam segredos e mistérios em sua mente. Bábel ensinou Canetti a olhar insaciavelmente as pessoas, a entendê-las sem julgar e condenar. Bábel dizia que se tratava da Neue Sachlichkeit, a nova sensibilidade. (Em algum lugar José já escreveu sobre isso, mas não lembra quando e onde).
Esse recurso criativo foi muito bem usado por Amos Oz, no seu livro Rimas da vida e da morte, em que o narrador, enquanto aguarda uma reunião que se prenuncia tediosa, começa a imaginar em detalhes a vida, os destinos das pessoas à sua volta, a quem atribui nomes, relacionamentos, vicissitudes, alegrias, amores e dissabores. E essas pessoas imaginárias tornam-se os personagens principais do livro. Teria Amos Oz se inspirado nos relatos autobiográficos de Canetti? A melhor inspiração do escritor é sempre encontrada nos livros.

Rubem Fonseca. José. Nova Fronteira, 2011, p. 49-50.
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1) Em primeiro lugar, essa insistência tão produtiva de Rubem Fonseca com Isaac Bábel: mesmo depois do excelente Vastas emoções e pensamentos imperfeitos - um romance que é uma glosa da vida de Bábel -, muitos anos depois do romance ainda aparecem notas esparsas, indícios de que esse fantasma ainda não foi embora, de que ainda há em Bábel um procedimento produtivo de observação literária do mundo.
2) É curiosa a aproximação com Amós Oz: faltou o nexo que liga o livro recente de Oz ao cenário do encontro de Bábel e Canetti, faltou uma indicação de que Oz tenha de fato lido Canetti. O tema da ficcionalização do mundo através do olhar do escritor é, de resto, abundante: Vila-Matas afirma, em París no se acaba nunca, que essa era sua principal atividade em seus anos de Paris. Como não era ainda um escritor de fato, sentava nos cafés [vestido de preto, como Beckett] e observava o movimento das ruas, exatamente como aprendeu naquele livro de Perec, Tentative d'épuisement d'un lieu parisien.
3) Mesmo que um pouco sufocado pela quantidade de obras que publicou, Umberto Eco deixou pelo menos uma obra irrepreensível em sua concisão e criatividade: Seis passeios pelos bosques da ficção. Ele reserva algumas palavras para esse livro de Perec [Tentativa de esgotar um local parisiense], escrito a partir da observação de "tudo o que havia acontecido" na place Saint-Sulpice entre 18 e 20 de outubro de 1974 [justamente a época em que Vila-Matas viveu em Paris]. Eco afirma que Perec buscava "a totalidade da vida cotidiana" em sua impossibilidade irredutível, mostrando o caráter alucinatório de nossa vivência com o tempo.